quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Adeus Madri!
Pôr do sol da minha janela
Essa é a última postagem que faço em Madri, daqui a pouco sigo para o aeroporto. Estou feliz, fui feliz aqui como era no Brasil. Terei Madri no coração para sempre, agora só quero ver minha mãe, minhas filhas e netos, irmãos e amigos. Deixo Madri sem lágrimas, sem nostalgia. Essa última seria uma opção pela dor. Foi um tempo, passou. Foi um tempo muito bom, mas em certos momentos, saltando para não tropeçar em algumas pedras, melhor dizendo, pedrinhas.
Agora só quero Brasil.
Adeus Madri!
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
"PRONTO FALEI"
Nova onda nacional: "pronto falei". Tenho escutado essa dupla da boca de todo brasileiro, que encontro ou falo ao telefone. Muitas vezes a pessoa quer dizer uma coisa mais pesadinha, ou fazer uma observação a sua conduta, usa o "pronto falei" e a situação está resolvida. É mais ou menos como o famoso, não menos culpado, que o "fui mal". A primeira é de exclusividade de pusilânimes que nunca se posicionam e quando o fazem, saem com um "pronto falei". Esse memorável feito merece uma comemoração à la Champagne em casa, às vezes Cidra, é mais baratinho. O segundo é uma saidinha clássica de coisas que não poderiam ter sido feitas. Por exemplo : dirigir bêbado e atropelar 5 pessoas, deixando 3 sem vida. Ao invés de se matar para não carregar a culpa, só murmura:"fui mal".
Logicamente ambas as expressões têm um aspecto positivo Só falarei da primeira. Eu a vejo como uma liberação de coisas guardadas e resguardadas. Um dia a pessoa revela a antipatia e já se desculpa com o antipático "pronto falei". Falasse antes, que medo é esse do "Nada", que atormenta a alma do ser humano e passa a vida engolindo coisas indigestas e um belo dia libera a alma, mas não dá ao outro nem o direito de defesa, nem uma possibilidade de mudança de comportamento se fosse informando antes do que chateava o chateado. Aliás os chateados também chateiam muito os outros. Eles adotam formas sub-reptícias de se vingarem.
Não existe ser humano que passe por cima de ofensas ou humilhações. Abro um parênteses para deixar claro que as ofensas e humilhações estão, na maior parte das vezes, embutidos nos complexos e fragilidades de cada um. O ponto é que a forma de dar o troco, nunca é a tradicional. Ela aparece nas formas mais diferentes e de tal forma que o outro nem se dá conta que "aquele comentário maldoso", é um troquinho por algo que estava guardadinho e já mofado pelo ódio. Mas, e a coragem de dizer? E a coragem de enfrentar? O enfrentamento pressupõe perdas, que nem sempre são interessantes para os adeptos do "pronto falei", a grande glória a ser conquistada!
O "pronto falei" expressa duas características da pessoa: a primeira é a covardia de não resolver os problemas na hora e a segunda, que é, de certa forma benéfica para ela, é a liberação do que só com um "pronto falei" por trás, dá conta. Observe que o `'pronto falei" pode ser expressado de outras formas. Também não pode passar desapercebido que o "pronto falei!", precede uma fuga rápida do local. O covarde não fica para escutar a resposta, ele não a suporta. Até chegar à ação heroica de falar algo ofensivo para alguém, ele já passou por várias etapas, (rsrsrsrs) e também já escutou muitas e não reagiu.
Afinal, as pessoas não são únicas? Siderar o outro é uma arte, mas há de saber fazê-lo e isso é para poucos.
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Logicamente ambas as expressões têm um aspecto positivo Só falarei da primeira. Eu a vejo como uma liberação de coisas guardadas e resguardadas. Um dia a pessoa revela a antipatia e já se desculpa com o antipático "pronto falei". Falasse antes, que medo é esse do "Nada", que atormenta a alma do ser humano e passa a vida engolindo coisas indigestas e um belo dia libera a alma, mas não dá ao outro nem o direito de defesa, nem uma possibilidade de mudança de comportamento se fosse informando antes do que chateava o chateado. Aliás os chateados também chateiam muito os outros. Eles adotam formas sub-reptícias de se vingarem.
Não existe ser humano que passe por cima de ofensas ou humilhações. Abro um parênteses para deixar claro que as ofensas e humilhações estão, na maior parte das vezes, embutidos nos complexos e fragilidades de cada um. O ponto é que a forma de dar o troco, nunca é a tradicional. Ela aparece nas formas mais diferentes e de tal forma que o outro nem se dá conta que "aquele comentário maldoso", é um troquinho por algo que estava guardadinho e já mofado pelo ódio. Mas, e a coragem de dizer? E a coragem de enfrentar? O enfrentamento pressupõe perdas, que nem sempre são interessantes para os adeptos do "pronto falei", a grande glória a ser conquistada!
O "pronto falei" expressa duas características da pessoa: a primeira é a covardia de não resolver os problemas na hora e a segunda, que é, de certa forma benéfica para ela, é a liberação do que só com um "pronto falei" por trás, dá conta. Observe que o `'pronto falei" pode ser expressado de outras formas. Também não pode passar desapercebido que o "pronto falei!", precede uma fuga rápida do local. O covarde não fica para escutar a resposta, ele não a suporta. Até chegar à ação heroica de falar algo ofensivo para alguém, ele já passou por várias etapas, (rsrsrsrs) e também já escutou muitas e não reagiu.
Afinal, as pessoas não são únicas? Siderar o outro é uma arte, mas há de saber fazê-lo e isso é para poucos.
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
REAL MADRID X ESPANYOL
Embora não pareça estava animadíssima neste jogo. Há muito queria ir ao Estádio Bernabéu, mas por uma razão ou outra fui adiando e só nessa última terça-feira, tive a felicidade de assistir a partida. Fui só, eu e minha torcida pessoal. A todo tempo lembrava-me do Glorioso Galo, pelo qual sou fanática, mas me dei conta que também sou fã do Real Madrid. O jogo foi uma maravilha, como madridista doente, o hino do time é tocado e cantado por Placido Domingo. Emoção pura. Lágrimas por toda parte, ao mesmo tempo que pensava no meu Atlético, gritava pelo Real Madrid.
Isso foi importante na medida em que me dei conta do quanto essa cidade me cala fundo. Na hora em que você torce, aplaude e vibra pelo time de futebol local, significa que parte de seu coração pertence, se isso é possível, à cidade. Na hora do gol foi a glória total, sentia-me como um pássaro nos ares, ali não havia repressão, eu era dona absoluta de todas as minhas emoções e as manifestava como se no mundo só existisse eu. Vergonha? Nenhuma. "Dále Madrid", era o que eu ouvia e fazia coro com as milhares de pessoas que estavam ali. Estádio lotou nos últimos 10 minutos antes do início do jogo, frio de matar, mas nada pode impedir um madridista de homenagear o time. Quando acabou o jogo com a "nossa" vitória, senti que podia morrer ali, morreria feliz. Eu vi o Real Madrid, eu vi o time jogando com garra, vi o Espanyol, que é um time de Barcelona também lutando, mas o Madrid levou o V de vitória.
Voltei de táxi, o motorista me confessou que detesta futebol. Meu ódio foi imediato: "Ah, quer dizer que o senhor não tem uma paixão na vida? Tenho senhora, sou viciado em jogo de cartas. Jogo de baralho, perguntei? É passo todos os finais de semana jogando, respondeu". Ali acabou nosso diálogo. Que coisa mais entediante, pensei, ficar horas à frente de uma mesa, sem se movimentar com nada que não sejam os olhos, olho na carta, olho no parceiro.
Antes de descer do táxi perguntei ao viciado, "que dia o senhor nasceu, ele respondeu meio sem graça, no dia 12 de julho, o senhor comemora, continuei? Sim se não é sábado ou domingo, por causa do jogo de 'cartas'. Quantos anos o senhor tem, me atrevi. Tenho 41, respondeu. O senhor já pensou que nesses 41 anos de vida, passou 41 vezes pelo dia de sua morte sem o saber? Desnorteado ele perguntou, mas o que isso tem a ver com futebol ou baralho? Nada, senhor, é só mais um dos enigmas da vida.
O certo é que os seres humanos e nem todos, só sabem o dia do seu nascimento, em comum, não têm mais nada. Tudo é uma questão de idiossincrasia, cada um veio a esse mundo defender sua singularidade, grande enigma.
FLAUBERT E O BOLERO DE RAVEL
O primeiro acorde é o sinal daquilo que só algumas almas entendem. Não são almas comuns, são
almas em sintonia. A sintonia em que o amor é engenheiro e construtor. Poucos no mundo conhecem essa magia. Só a música empresta a ela a sensualidade que os corpos materializam silenciosamente. O trotar dos cavalos descendo pelas ruas que ladeavam a Catedral de Notre Dame, descritas por Flaubert, entoavam e davam vida aquilo que as laterais da carruagem tinham a exclusividade de testemunhar.
Os amantes sempre precisam de algo mais que os próprios corpos. Ravel o fez. Talvez e provavelmente, ele não sabia que aquele Bolero, menos de um século depois de Flaubert, poderia substituir o trotar dos cavalos. O Bolero seria a expressão musical, cadenciada pelos movimentos, que com mais ou menos ardor, Madame Bovary, movida pela loucura da paixão, desafiou a sociedade francesa em nome do que lhe era mais caro: o exercício do amor total. Enquanto o Bolero aumenta o tom e cresce como se almejasse o infinito, o ballet bailado e sublimado, se blindado pelo amor verdadeiro, também aumenta na simbiose que torna dois seres em um só e assim permanecem clamando pela eternidade. O amor sem amor é subutilizar as possibilidades de entrar em consonância com a música e conhecer o Nirvana.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
VOU VOLTAR
Quando Gonçalves Dias escreveu a "Canção do Exílio" em Portugal, certamente não lhe ocorreu que seu poema seria eternizado no coração de todos que o leram. Dizem que os leitores são co-autores das obras dos escritores. Concordo. Só o fato de gostar, não gostar, achar que poderia ser escrita de outra forma, confere ao leitor essa função, lógico que de menor grandeza.
Não há beleza, não há modernidade, não há nada que apague no coração de quem está longe da Pátria essa saudade doída, saudade de arrancar lágrimas vivas, saudade de sentir dor no peito, ainda que todo esse sentimento seja contido e escamoteado em risos e histórias para distrair o coração.
Há dias que busco nas fotografias, como Machado de Assis, uma companhia para estar comigo, "Na ausência de alguém, jante com o retrato". Quantos retratos, quantas lembranças, são lembranças coloridas de verde e amarelo, são os símbolos da Pátria, que tantos morreram e morrem por ela. Seja ela qual for, tudo "Por amor à Pátria", como intitulou Maurizio Viroli em seu belo livro. A Pátria é onde está nossa ancestralidade, nossos mortos, nossos pais. E é para lá que eu quero voltar.
Vou voltar, Priscila,
Vou voltar, Rachel,
Vou voltar, Paula,
Vou voltar, minha mãe.
Sabem por quê?
Porque além de vocês,
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o Sabiá.
São palmeiras e palmeirinhas,
Que eu as deixei soltas por lá,
Mas, em breve, muito breve
Tudo voltará ao lugar.
A que ponto posso falar,
Que nada mudou, impossível,
Mas aqueles que em mim habitam
Nem o tempo pode mudar.
Não permita Deus que eu morra,
Sem nelas colocar meu olhar,
Palmeiras como aquelas,
Eu nunca vi por cá.
No dia em que eu voltar,
Ninguém sentirá o que sinto
Só dentro de mim estará
O alivio de em minha terra pisar.
Saudade é um sentimento autônomo,
Que dói só de aflorar,
Mas o consolo que salva,
É a certeza de para o Brasil voltar.
CANÇÃO DO EXÍLIO
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas
Nossas várzeas têm mais flores
Nossos bosques têm mais vida
Nossas vidas mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite
Mais prazer encontro eu lá,
Minha terra tem palmeiras;
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores
Que tais não encontro eu cá
Em cismar, sozinho, à noite
Mais prazer encontro eu lá.
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem que eu aviste as palmeiras
Onde canta o Sabiá
MMMi
domingo, 19 de janeiro de 2014
SAUDADES DE MARÍLIA - MADRID 2013 - 2014
Quisera ser um poeta
Para à Marília, poder falar
Fique menina, mais uns dias
Para o sol aqui brilhar.
Agora que faltam algumas horas
Para a partida que há de chegar
Sinto dor em todo o corpo
E por seguro por ti chorar.
Tem sido um tempo inesquecível
De com você poder estar
Mas para isso existe a memória
Que viva nela você estará.
Chegou de mansinho e silenciosa
Traço que nunca modificou
Marília você é um encanto
Que a todos conquistou.
Doravante os dias serão vazios
Sem ninguém para seu lugar ocupar
Não sei por que já vai embora Marília
Só para à tristeza dar lugar
Rimas pobres mas sinceras
Disso sempre lembrarás
Marília amiga, amiga querida
No meu coração morarás.
Dele será uma ilustre inquilina
De outra forma não sei me expressar
Saudades antecipadas já sinto
Que falta você já me faz
Como rimar é difícil
Como os poetas são sublimes
Queria ter o dom do mais simples
Para poder melhor me expressar
Da Espanha levarei saudades
Lembranças que guardadas ficarão
E você, oh doce Marília
Estará junto ao coração.
Se um dia de mim se lembrar
E alguma saudade lhe bater
Saiba de um coisa Marília
De você jamais vou esquecer.
Madri é uma cidade muito linda
A nós nos tratou com amor
Mas das penas da vida, uma delas
É que certas alegrias acabam em dor.
Madri para mim tem um colorido
Que o tempo nunca maculará
Foi sua presença amiga
Que com sua graça ajudou a pintar.
Vá Marília, há gente te esperando
Aqueles que a ti te têm amor
Mas não seja ingrata querida
Com os que pelo mundo deixou.
Ainda que não nos vejamos nunca mais
Nunca se sabe o que está por acontecer
De você Marília tenha a certeza
Jamais hei de me esquecer.
"AINDA BEM QUE NÃO SOU SURDA"
Há coisas que irritam a todo mundo, melhor, a quase todo mundo. Eu sou uma pessoa naturalmente bem humorada, mas prontinha para me irritar com as coisas mais inusitadas. Tolerância zero mesmo. Imagino que faço as mesmas coisas que me irritam nos Outros. Dizem que a gente observa no Outro aquilo o que é, melhor dizendo, nos projetamos no Outro. Não concordo. Há toda sorte de gente nesse mundo, entre o chatinho e o insuportável, passamos por uma gama que só não é infinita porque limitei minha antipatia na categoria dos insuportáveis. Se sou isso tudo, darei cabo da minha vida nesse momento. Só não o faço porque Deus me privilegiou com uma vaidade sem limites. É ela que me salva de enxergar a mim mesma, verdadeira salvação nesse mundo de lágrimas e ranger de dentes (rs).
Dizem que todo homofóbico é um gay que 'ainda' não se revelou.
Discordo radicalmente. Das tiranias sociais, essa é a capitã do time. Mas se tomarmos a afirmativa acima como verdadeira e a estendermos às incontáveis áreas do preconceito, entraremos no labirinto da mentira humana. A Ku Klux Klan teria sido uma organização de brancos que queriam ser negros, a negritude era o desejo velado de seus adeptos. Hitler queria tanto ser judeu, que mandou matar a todos, por pura frustração de não ser um deles. Aqueles que maltratam os pobres e desvalidos sonham com a indigência. Os que destratam e desprezam os ignorantes não passam de sábios que se auto-rejeitam. Fica difícil tomar esse caminho para entender o preconceito, não? Acho mais simples dizer com a cara limpa, "não gosto disso ou daquilo e assunto encerrado". Mas não sigam essa ideia, é crime inanfiançável. Só se pode falar aquilo que não fere ao diferente. Só essa frase já é um preconceito da pior qualidade. Assunto sem fim.
Voltando ao tema que me propus a escrever, vou comentar apenas umas poucas entre as várias coisas que me alteram o juízo.
1) Conto um ocorrido que pode ser do mais trágico ao mais irrelevante. O interlocutor não escuta até o fim e fica sôfrego para contar várias outros ocorridos do mesmo tipo, só para rebater. Isso é detestável. Em geral, esses "interventores" são indiferentes ao problema do outro (se for o caso). No caso de doenças, a coisa é infernal. Se conto que sofro de um mal, me exaurem com o número de casos de gente que morreu com a mesma enfermidade ou que está entrevado numa cama. Outros ficam caladinhos, mas erguem as sobrancelhas e retraem levemente os lábios. Quer cara mais antipática e ameaçadora? O doente em si ou a tragédia contada fica para segundo plano, e no lugar entra a história "nada a ver" do insensível.
2) Falo uma frase ou me vem uma ideia inédita, criada naquele momento. O interlocutor na hora já vem à carga: " imagine que falei exatamente isso ontem com fulana". Minha antipatia vai aos píncaros da lua. Essa doença é aquela de querer tomar para si a criatividade e o ineditismo do outro. Muito comum. Além de roubarem minhas ideias, as antecipam para não haver problemas de autoria. Isso me leva à loucura.
3) Conto um caso meio inacreditável. Isso me ocorre muito porque presto atenção no mundo. Tudo pode acontecer, até o inacreditável. Se não acontecesse o mundo seria uma monotonia total. O que está ouvindo o caso, não só duvida, mas olha para uma outra pessoa da roda e meneia a cabeça indicando que acabaram de escutar uma barbaridade. Nesse caso, não tenho antipatia do outro e sim ódio de mim mesma por ter votado contra a venda de armas no Plebiscito de 2005 (5)? Certamente, se estivesse armada, daria um tiro certeiro na cara dessas pessoas, que "donas da verdade", ridicularizam o outro por uma história que, na maior parte das vezes, é verdadeira, mas foge ao cotidiano. Melhor expressando, a vida passa desapercebida para a maioria das pessoas.
4) "Adoro gays". Odeio essa frase. Ninguém adora gay, a gente adora várias pessoas, essa adoração independe da condição sexual do outro. Há gays insuportáveis e heteros mais insuportáveis ainda. Logo, essa frase é uma grande falácia, proferida por preconceituosos juramentados que escondem seu verdadeiro sentimento. De mais a mais adorar, só a Deus. Pelo resto temos uma pequena simpatia. Bem, há algumas exceções.
5) Detesto ouvir certas palavras que precedem ordens: "já que".....vc está na cozinha, aproveita e pega um copo de Coca e faz um sanduiche para mim; "aproveita".....que está no centro da cidade e compre uma linha preta de seda no Armarinho São José; "quando vier"..... passe pelo shopping e .... Enfim, essas são algumas palavrinhas que soam como agulhas nos ouvidos de quem as ouve. O folgado fica na dele dando ordens ao infeliz que foi descoberto em algum lugar que possa ter uma coisa de seu interesse. Isso é muito comum quando as pessoas viajam, são as famosas listinhas dos "encomendadores". Tudo é fácil para o outro.
6) Carona, essa a palavra já diz. Nada pior no mundo que pedidor de carona. Você vai para o sul, o aproveitador vai para o norte e tem "cara" de te pedir uma carona. Tenho ódio de levar ou buscar qualquer pessoa da categoria 'carona', em geral, vira obrigação. E mais, os caroneiros descem do carro sem um 'muito obrigada'. Quando combino com alguém que ao dia seguinte vou dar-lhe uma carona para a universidade, por exemplo, passo a noite acordada para não deixar o outro na mão, fico com medo de acordar doente, sei lá...compromisso com acompanhante não é o meu favorito.
7) Ouvir detalhes de viagens de um desconhecido meu. Fico pensando como alguém pode pensar que interessa a qualquer pessoa nesse mundo a viagem de um ser que nunca viu? E as compras? E as maravilhas? "Já é a terceira vez que 'fulana' vai ao Vale do Jequitinhonha. (Cantem a música)
" É gente humilde que vontade de chorar...".
8) Não suporto namorados falando como criança. Coisa mais jeca não existe.
9) Ruído de mordidas em maçã: irritam à morte. Acho que irrita sobretudo aos diretors de cinema. Observo que o "bandido"do filme, a certa hora, abocanha uma maçã. Sinal de mau caráter. risos
10) Mascador de chicletes de boca aberta, escancarada, permeada por bolas e plocs.
Paro aqui, já estou com antipatia mortal só de pensar nessas coisas. As outras são indizíveis e pior, infinitas.
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